quinta-feira, 25 de julho de 2019

Hoje dirigia-me à Rua Costa Cabral e pensei que por ali faltava uma livraria e o único local onde poderíamos encontrar livros, seria nos Correios, mas entretanto, numa Papelaria, descubro que atrás têm prateleiras com livros à venda (alguns em segunda mão).

sábado, 26 de janeiro de 2019

A nossa avó tirava com as pontas dos dedos a nata por cima do leite que tinha fervido
A mama fazia o mesmo.
Eu comecei também a fazê-lo, às vezes.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

orgulho-me do que não me lembro ou só me lembre vagamente como estando bem, de ter sido um bebe que raramente chorava
vivíamos num prédio, os vizinhos sabiam que a nossa mãe ia ter mais um filho e quando ela regressou tinham algum receio de perguntar o que sucedera porque não me ouviam chorar
e tudo isto depois da minha irmã mais velha ter sido terrível, muitas vezes por estar doente, outras vezes, descobriu a minha mãe que enquanto dormia, ia puxar o seu próprio cabelo, sentia a dor, acordava e chorava
houve um dia que ela com três anos, três anos e meio nos fechou às duas num quarto, chorou, vomitou, enquanto a nossa mãe preocupada com as duas não a conseguia convencer a dar de novo a volta à chave na fechadura, foi depois o empregado simpático de um café que ficava em baixo do prédio que a convenceu, ou fez cair a chave sobre um jornal ou entrou pela janela - penso que a terceira opção é que será a certa, e enquanto durava tudo isto, eu permaneci a dormir calmamente
quando era criança a minha avó dizia que eu tinha uma grande cabeça e notavam que eu tinha a testa alta não por me acharem cabeçuda mas inteligente
Às vezes, estou a fazer alguma coisa como fazia antes e parece-me sem sentido,
como se representasse o que era a minha vida
ou descobrisse agora que já não tinha sentido
porque podia acontecer o que aconteceu

quinta-feira, 29 de março de 2018

Ouvido na rua a senhor zangado que falava ao telemóvel: "Eu já te disse para não andares a chatear as pessoas, quando não tens nada para fazer, inventa alguma coisa"

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Já fomos seis

Até aos seis anos morei em Paços-de-Ferreira, depois até aos doze, em Gondomar e a partir daí, no Porto. Íamos visitar a nossa avó materna a Lisboa e os avós paternos a Trás-os-Montes. A nossa avó também vinha ficar connosco.
Em Paços-de-Ferreira morávamos num apartamento com um corredor comprido, uma varanda, um quarto pequeno que era onde dormia a nossa avó - lembro-me de estar deitada de barriga para baixo nessa cama e tocar com os pés na cabeça.
Sou a segunda de três.
Quando a nossa avó passou a ficar connosco, em Gondomar, éramos seis, avó, pai, mãe e três filhas.
Em Gondomar morámos na casa de função - o nosso pai Médico Veterinário, nessa altura municipal de Gondomar. Uma casa cor-de-reosa, com dois andares e quintal à volta onde cresciam couves e abóboras e havia galinhas e caracóis e houve dois cães, o Fiel e o Wolf.