quinta-feira, 13 de junho de 2024

Segunda-feira, 10.6.24 - Feriado

 


O plano era almoçarmos em Leça, mas não reservámos mesa no restaurante escolhido e não havia mesa. Em redor pareciam todos cheios e acabámos por ir antes a Centro Comercial (com direito a passagem pela Fnac). Mas antes deu para dar uma voltinha por lá, respirar o ar com iodo e tirar fotografias. Ao almoço N disse que eu continuava igual a como quando nos conhecemos há quase dezassete anos. Sei que não é verdade, mas ao ver esta fotografia até pensei que quase poderia ser. Tenho tantas saudades dos meus pais, mas há dias num jantar com as minhas irmãs e os Paulos, e o Spassky, pensei que se não morrer antes poderei vir a ter saudades do que tenho agora.


sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

 Quando está frio posso lembrar o meu pai a dizer que uma forma de aquecermos os pés antes de irmos dormir era darmos uma volta a pé. Dei uma volta a pé com ele assim depois do jantar em Bragança. Jantámos num restaurante os cinco e depois regressámos ao hotel.


Eu

 Sou uma de três irmãs, a do meio.

Algumas vezes escutei a minha mãe comentar sobre como apesar de termos crescido com a mesma educação e condições, eramos tão diferentes.

Posso olhar para nós e ver as diferenças ou as semelhanças - como com a minha mãe, as nossas vozes.

quarta-feira, 1 de junho de 2022

 Da mesma forma que algumas vezes cozinhar me fez sentir uma ligação à minha mãe e à minha avó, duas ou três vezes a regressar de cidade de trabalho, em tardes de sol, senti essa ligação e a presença do meu pai. Vinha pela A32, com pouco trânsito, rodeada por árvores e terra laranja. Quando era criança e no início da adolescência algumas vezes fui com o meu pai às chamadas. O meu pai, médico veterinário, ia tratar ou vacinar vacas, porcos ou cães. Terei ido com ele em tardes parecidas, em estradas e caminhos com terra laranja e ladeados por árvores.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Após a licenciatura e o inicio do estágio, passei um ano em Lisboa em formação. Fui primeiro com colegas, depois com os meus pais e por fim com a minha mãe, procurar um lugar onde ficar.

Com os meus pais fomos visitar um seu tio - casado com uma tia (Tia Maria?) irmã do avô. Ele arranjou o contacto de uma Residência, mas era muito exclusiva. Gostei de conhecer o tio. Ele tinha ido para Padre, mas optou pela vida secular e casou com a irmã do avô que era mais velha do que ele e com menos energia para sair connosco. Como o meu pai contara também me pareceu ser uma boa pessoa.

Com a minha mãe encontrámos primeiro uma senhora que alugava quartos na casa bastante vazia em que ficara, por lá residir com a inquilina inicial. Ela era empregada na casa, mas após a morte da senhora conseguiu ficar com o arrendamento. Também oferecia lavagem de roupa. Estava com um problema e ia ser operada. As pestanas cresciam-lhe para dentro e irritavam-lhe os olhos.

Depois conhecemos a D. Ema e foi lá que fiquei. Ela morava num apartamento na Estrada de Benfica, terceiro ou quarto andar, sem elevador. Passava por lá o Autocarro 48 acho, que vinha da Estação de Santa Apolónia. A estação de Metro era Sete Rios (no Inverno quando chovia formavam-se por lá "rios".À noite ouvia sons de animis diferentes do Jardim Zoológico. Se me cruzasse com alguém do prédio deveria dizer que era uma prima. Nunca ninguém me perguntou. A D. Ema gostava de trazer pacotinhos de açúcar dos Cafés quando lá ia lanchar. Às vezes faço o mesmo e penso nela.


 Quando o papá contava algum acontecimento ou história do passado utilizava às vezes a expressão:

"... de maneira que..."

Também perguntava: "sabia disto ?"

terça-feira, 19 de abril de 2022

 Aprendi a jogar damas aos seis anos a ouvir as explicações do meu pai à minha irmã mais velha

 Iamos a Argozelo no Verão, talvez também na Páscoa. No Verão havia muito calor e o cheiro a estevas.

Lembro-me de uma ida que seria pela Páscoa -  na fotografia na varanda estou com o meu kispo branco, teria talvez quinze anos. A nossa irmã mais nova tentou cativar um gato ou gata que andava por lá, mas acho que não conseguiu.

 A nossa avó Gracinda Luis dava-nos rosquilhas, medalhinhas religiosas e moedas quando iamos até Argozelo. Acho que chorava quando chegámos e abraçava o papa. O papa buzinava ao chegar, descarregava família e malas, trocava abraços e ia depois arranjar um lugar para arrumar o carro.


 O nosso avô paterno, Abdiel Vitor Lopes com dezoito ou dezanove anos esteve na 1ª Guerra Mundial. Levava ordens de bicicleta do comando para a frente.

 A nossa avó materna, Manuela da Conceição Andrade Coelho, depois de casada Beltran Pepe, nasceu e cresceu em Lisboa. Em criança brincou no Jardim da Estrela.

 Quando comecei o estágio de advocacia a minha mãe colocou-me um pouco de base para dar cor. Levei depois a embalagem para Lisboa e continua a ser o que uso de maquiagem, um pouco de base na zona do nariz e faces, para dar cor.

 Sou a segunda filha de três. Há anos fiz as contas e fiquei com a ideia que a minha irmã mais velha tinha dois anos, nove meses e vinte e um dia quando eu nasci e eu tinha dois anos, quatro meses e vinte e um dias quando nasceu a nossa irmã mais nova.

Nasci e fui baptizada em Lisboa.

Nos primeiros seis anos de vida vivi em Paços-de-Ferreira, nos seis anos seguintes, em Gondomar, e depois no Porto.

No Verão havia duas viagens habituais, a Lisboa, onde vivia a mãe da nossa mãe e a Argozelo onde viviam os pais do meu pai.

O meu avô materno morreu quando eu tinha seis meses. A avó materna passava mais tempo connosco e a certa altura passou mesmo a morar em Gondomar. Contava-nos histórias, fazia-nos cafuné para dormirmos a sesta, dáva-nos a sopa e xi-corações.

Num Natal em que veio com prendas deu-me a minha boneca especial, a Joaninha que passei a levar para todo o lado.

Sabia disto?
Não sabia disto, pois não? 

Frases do papá

quinta-feira, 31 de março de 2022

 Há tanto que gostaria de contar sobre o meu pai.

Desde a segurança que sentia quando andava com ele de mão dada. Eu sempre com as mãos frias, ele tinha-as quentes quando eu era criança, 

As nossas conversas enquanto eu crescia e me parecia certa a sua visão do mundo, um mundo duro e difícil, mas em que podiamos sobreviver seguindo talvez as suas cautelas e avisos.

Tenho a ideia de na casa em Gondomar (vivi lá dos meus seis aos doze anos) ter havido uma altura em que à noite nos contou histórias, como a da galinha dos ovos de ouro.

Lembro-me de uma noite em que estava doente, tão agoniada em que até pensei que ia morrer (mas era tão criança ou não estava assim tão mal para acreditar e receá-lo). Senti o coração a bater. Vi os meus pais meio preocupados, vomitei e fiquei melhor e o meu pai já o tinha previsto. Desde então que em princípio quando estou enjoada não fico com medo.

Aprendi a jogar damas com seis anos ao ouvi-lo a explicar as regras à minha irmã mais velha.

Sucessivamente fomos a sua companhia nas chamadas, e acho que também sucessivamente ele nos chamou a sua esperança. Por isso escolhi como a minha segunda cor preferida o verde (a seguir a ter escolhido o azul e antes de escolher o vermelho).

Quando era bem pequena ele foi para mim a pessoa mais importante do mundo. A minha mãe parecia-me mais séria e ocupada e mais próxima da minha irmã mais velha (mas depois enquanto crescia, fui-me aproximando mais dela).

Queriamos que tivesse orgulho em nós. Quando lhe falávamos de testes ou de notas já boas, ele dizia sempre que esperava mais para a próxima, um Muito Bom a seguir a um Bom, um Excelente a seguir a um Muito Bom. Mesmo se trouxessemos o Excelente não nos elogiava directamente. Fiquei admirada um dia em que o ouvi elogiar, não sei se às três, se só a minha irmã mais velha que não estava presente, a uns conhecidos.

TInha "repentes" de zanga que passavam depressa.